Bairro de São José

Mercado de São José

Construído em 1875, o Mercado de São José teve seu projeto arquitetônico inspirado no Mercado de Grenelle, de Paris, e tornou-se o primeiro edifício em ferro do Brasil. Por essa razão e pelo seu valor histórico foi tombado em 1973, pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

A ideia de criar um novo mercado partiu do próprio governo que desejava, através de algumas medidas, modernizar e higienizar a cidade de Recife, buscando deixá-la com uma aparência europeia. Antes da nova construção, o espaço era ocupado por um mercado e a Ribeira do peixe, local onde “[…] os pescadores ancoravam seus barcos e vendiam os pescados aos atravessadores, que os revendiam à população por preços que eram considerados exorbitantes” (GUILLEN; GRILLO; FARIAS, 2010, p. 18).

JB_000581 - Mercado de São JoséO antigo mercado chegou a ser motivo de confusão com os capuchinhos do Hospício de Nossa Senhora da Penha, em razão do cheiro desagradável do mercado. Esse conflito pelo terreno da Ribeira do Peixe se prolongou, mas o mercado continuou funcionando no local. Dessa forma, pode-se afirmar que Recife era uma cidade marcada, nesse período, por sua beleza, mas também pela sujeira que tomava conta de toda a cidade. Em razão disso, e dos desejos das elites recifenses, foram desenvolvidas várias maneiras de limpar a cidade, por exemplo, iniciando o processo de modernização e a regulamentação do comércio alimentício. O Mercado de São José surge, portanto, com essa finalidade.

JB_000264 - Mercado de São JoséPara as autoras do livro Mercado de São José: Memória e História, o mercado “[…] representaria o ideal de organização e padronização de um comércio que, antes, se encontrava disperso em forma de comércio ambulante, realizado por negros forros, escravos e trabalhadores livres.” (GUILLEN; GRILLO; FARIAS, 2010, p. 40). Dessa forma, a Câmara Municipal, em 1872, encarregou o engenheiro João Luís Victor Lieutier pela elaboração do projeto, para a partir disso ser definido quem iria construir o mercado. O escolhido foi José Augusto de Araújo, que selecionou o engenheiro Louis-Léger Vauthier para detalhar o projeto fornecido pela Câmara Municipal do Recife e fiscalizar a construção da estrutura de ferro (GUILLEN; GRILLO; FARIAS, 2010, p. 37).

O Mercado foi inaugurado em 7 de setembro de 1875 e foi celebrado com muita festa. Apesar disso, logo de início foram proibidas as presenças de prostitutas, mendigos e de escravos dentro do mercado (GUILLEN; GRILLO; FARIAS, 2010, p. 40-41).

Isso não impedia que negros escravizados, forros e libertos frequentassem o mercado e seus arredores, pois era um dos principais lugares de trabalho da cidade, onde de juntavam trabalhadores do porto e da estiva para fazerem suas refeições, negras quituteiras, capoeiras e fiéis do catimbó (o xangô pernambucano e a jurema), pois no Mercado de São José encontravam todos os artigos necessários para suas obrigações. É válido ressaltar, que nos anos de 1906 e 1941, o mercado passou por reformas, e em 1989 sofreu um incêndio que fechou parcialmente o local até o ano de 1994. O edifício sofreu danos profundos e passou por uma reforma complexa, com a tentativa de deixá-lo com as mesmas características.

Após sua criação, o Mercado de São José, ficou marcado pela variedade de produtos e por ser um lugar bastante visitado pelos recifenses. Destacando-se, também, a relação desse local com a história, cultura e religiosidade negra. Antes mesmo da criação do Mercado, o espaço era ocupado pela presença de alguns comerciantes, escravos e homens livres negros, sendo um local de trabalho dessa parte da população. É importante ressaltar que o bairro de São José, em seu conjunto, é marcado por uma relação profunda com a cultura negra, principalmente, através do carnaval e da religiosidade. Desde o século XIX até os dias atuais, o Mercado é um local importante para as pessoas que seguem as religiões de matrizes africanas, pois nesse espaço se encontram os materiais para a realização de rituais e celebrações, como animais, ervas, velas e outros objetos.

Atualmente, é possível afirmar que o Mercado é um dos locais mais importantes da cidade do recife, sendo um ponto turístico bastante frequentado.

JB_000776 - Mercado de São José

Imagens: Fundação Joaquim Nabuco

Referências:

GUILLEN, Isabel Cristina Martins; GRILLO, Maria Ângela de Faria; FARIAS, Rosilene Gomes. Mercado de São José: Memória e História. 1.ed. Recife: FADURPE, 2010.

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